Como os pais podem proteger os filhos na Internet?

22/2/2016        

NÃO ADIANTA PROIBIR, O IMPORTANTE É CONSCIENTIZAR AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

 
 
Que vivemos na era digital, ninguém discorda, assim como a maioria das pessoas sequer questiona sobre isso, já que a virtualidade se transformou em um hábito cotidiano. Crianças bem pequenas já interagem com equipamentos eletrônicos e parecem já ter si uma espécie de “inteligência virtual”. Mas claro, a internet não é um ambiente apenas incrível em que é possível conhecer o mundo, em que é possível se divertir e ampliar contatos e fazer novas amizades. A internet também tem a sua “escuridão”, pode ser um ambiente de risco. As facilidades que o meio virtual pode proporcionar não se restringem apenas aos benefícios, aliás, o que define se a internet pode ser uma aliada ou inimiga depende claro da utilização.
 

COMO LIDAR COM OS FILHOS NA INTERNET?

 
A psicóloga Ane Caroline Janiro explica que a internet é um meio de exposição, o que também se estende a crianças e a adolescentes. Mas utilizar diferentes tecnologias também pode trazer muitos riscos. O que Ane enfatiza é que não adianta retirar da criança a possibilidade da internet: 
 
“Proibir a sua utilização, entretanto, não é a melhor saída, apesar de alguns pais optarem por isso. O primeiro passo é conversar muito com a criança ou adolescente, pois eles precisam conhecer todos os riscos a que estão submetidos, precisam ser orientados sobre os cuidados que devem tomar ao acessar a internet, não compartilhando dados pessoais e familiares, não aceitando convites ou conversando com estranhos”.
 
De acordo com a pesquisa Geração Digital: riscos das novas tecnologias para crianças e adolescentes, há algumas dicas para a utilização do computador, telefone celular, videogames e outras tecnologias, que os pais devem procurar seguir:
 
• Conversar sempre sobre os sites existentes e sobre a indicação dos sites de acordo com o desenvolvimento e maturidade individual. Vale sempre participar de palestras e de debates sobre o uso consciente da tecnologia;
 
• Regras devem ser estabelecidas como horário na internet, assim como é fundamental advertir sobre o envio de imagens e informações para pessoas desconhecidas;
 
• Se surgir qualquer mensagem obscena, amedrontadora, “esquisita” ou com conteúdo pornográfico, o Dique 100 pode ser acionado ou até mesmo o site www.denuncia.or.br;
 
• Senhas virtuais nunca podem ser fornecidas a quem quer que seja, assim como brindes, prêmios ou qualquer convite para viagens devem ser recusados;
 
• Filtros de segurança devem ser usados, assim como sistemas de segurança devem estar sempre atualizados, para bloquear mensagens proibidas para crianças e adolescentes;
 
• É importante ficar sempre atento aos sinais de riscos e ao comportamento da criança ou adolescente em frente ao meio virtual. Isso porque a internet é também um meio em que se concentram riscos como exploração comercial sexual de crianças e adolescentes; pornografia e pedofilia;
 
• Vale participar de redes de proteção social para crianças e adolescentes que englobem a “reeducação” na maneira de utilização da internet.
 
Para a psicóloga, além de estabelecer acordos de horários de utilização da internet, é importante prezar principalmente pela confiança: “A confiança deve ser recíproca na relação dos pais com os filhos, só assim as crianças e adolescentes se sentirão seguros para contar aos pais sobre determinadas situações e também para compreender limites”.
 
De acordo com o estudo Pornografia na Internet, estima-se que a pedofilia (uma das formas de exploração sexual), lucre por ano o equivalente a cinco bilhões de dólares. O mercado de vídeos de pedofilia gera por ano 280 milhões de dólares, o que torna a questão dos cuidados com a utilização da internet feita por crianças e adolescentes ainda mais séria e importante de ser frequentemente discutida.
 
De acordo com o artigo Crianças e adolescentes internautas como alvo da criminalidade online: pedofilia e pornografia na internet, o ambiente do ciberespaço permite um processo de interação e comunicação constante, mas essa potencialidade da internet desperta preocupações à medida que a criminalidade cresce, já que esta também se beneficia da “permissividade” do ambiente virtual.
 
A psicóloga enfatiza que uma relação de confiança entre pais e filhos e de diálogo aberto é o único caminho para a proteção dos riscos na internet:
 
“Conversar sempre, buscando explicar a eles sobre a existência de certas situações de risco e também os ouvir em suas dúvidas, medos, questionamentos. Os filhos devem saber a quais perigos estão expostos e devem se sentir muito seguros para contar aos pais ou a um adulto em quem confie sobre situações adversas”.
 
Não adianta proteger os filhos DA internet já que a virtualidade faz parte do cotidiano, mas vale sempre se preocupar com o comportamento dos filhos NA internet, vale prestar atenção, manter um diálogo e estar sempre atento a quaisquer mudanças no comportamento da criança e do adolescente. 
 
A internet é um meio de comunicação incrível, mas se fará bem ou mal dependerá da maneira de utilização de cada um.
 
 
 
 
 
Ane Caroline G. Janiro - Psicóloga Clínica (CRP 06/119556) pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo - SP. Equoterapeuta pelo Centro de Equoterapia de Jaguariúna -SP e pela ANDE – Brasil (Associação Nacional de Equoterapia). Idealizadora do Projeto e blog Psicologia Acessível, que busca tornar as práticas em Psicologia mais próximas ao cotidiano de todas as pessoas, sejam elas estudantes e profissionais da área ou não, priorizando práticas inclusivas e acessibilidade das informações e de serviços da Psicologia (www.psicologiaacessivel.net)
 
 
 
 
 
 
 Fontes
 
Geração Digital: riscos das novas tecnologias para crianças e adolescentes. Trabalho realizado por: Evelyn Eisenstein/Susana B.Estefenon: revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=105
 
Pornografia na internet. Trabalho realizado por: Marcelo de Luca Marzochi: site.unitau.br//scripts/prppg/humanas/download/pornogra-v9-n2-03.pdf
 
Crianças e adolescentes internautas como alvo da criminalidade online: pedofilia e pornografia na internet. Trabalho realizado por: Laura Pereira do Nascimento/Rosane Leal da Silva: online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/sidspp/article/view/11741
 



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