RELAÇÕES ABUSIVAS CEGAM E TIRAM DA PESSOA A PAZ
Você está em um relacionamento que quando começou lhe fazia bem, mas agora as sensações mudaram? A delicadeza que fazia parte da relação hoje já não existe mais? Talvez você esteja vivendo um relacionamento abusivo e não saiba!
ENTENDA O QUE É UMA RELAÇÃO ABUSIVA
No texto Relacionamentos Abusivos, a primeira introdução do assunto é esclarecendo sobre a carga de significados da palavra abuso, que para muitas pessoas está associada ao abuso sexual ou à agressão física, mas o que caracteriza o “abuso” está além do físico – afeta as emoções e os sentimentos são os mais abalados.
A psicóloga e psicanalista Daniela André Martins, explica que o relacionamento abusivo se refere à qualquer relação em que exista um indivíduo em posição de poder, que subjuga o outro. O comportamento abusivo pode ser físico, verbal e emocional e, diferente do que a maioria das pessoas acredita, não se refere apenas a casais, tampouco apenas ao público feminino: “Podem ocorrer em todas as relações como por exemplo: entre pais e filhos, amigos, colegas de trabalho e familiares. São relacionamentos que causam muito sofrimento e angústia, desencadeando diversos males, que são extremamente nocivos a quem é subjugado.”
Daniela explica que apesar de ser difícil para a maioria das pessoas sair de um relacionamento assim, não é impossível e, que na Psicanálise sempre se leva em consideração a particularidade do paciente e, por este motivo, não é possível encontrar uma razão específica que se aplique a todos os casos, já que cada pessoa tem uma motivação inconsciente que a mantém nesse tipo de relação.

O artigo
Relacionamento tóxico: 7 sinais de que seu parceiro pode ser abusivo, começa enfatizando que a agressão pode se dar por meio da pressão psicológica, da intimidação, da injúria, de ameaças verbais e de outros tipos de abuso moral.
A psicóloga esclarece que as pessoas que são abusadas costumam se sentir envergonhadas por essa condição e inclusive, podem mentir, tentando esconder emoções e marcas físicas de pessoas próximas, assim como podem se sentir culpadas e até não querer que outras pessoas sintam “pena”.
“Além disso, muitas não conseguem admitir para si mesmas, que estão em um relacionamento abusivo. Sendo assim, a possibilidade de ajudar é muito delicada e restrita, já que o abusado pode romper com quem tenta ajudar, piorando ainda mais a situação. Acredito que a forma de ajudar menos invasiva, ou seja, sem precisar falar com todas as letras “você está em um relacionamento abusivo, faça algo!”, seja acolher a pessoa, sem fazer questionamentos que podem afastá-la, é importante expressar apoio e verbalizar que ela pode contar com você”, orienta.
No artigo Como reconhecer a armadilha do relacionamento abusivo, alguns sinais para reconhecer relacionamentos abusivos são mencionados:
Comportamento possessivo - Quando a pessoa expressa ciúme de amigos e familiares e deseja sempre controlar, estar no comando na vida do outro.
Agressividade - Não está ligada apenas ao quesito físico. A agressividade pode ser verbal, por meio de ameaças. A pessoa também pode jogar objetos com agressividade para se impor diante do outro.
Colocar o outro para baixo - Na tentativa de sempre se manter no controle, uma das partes tenta sempre diminuir a outra pessoa, desvalorizando tudo o que a outra faz, como se a ‘impotência’ do outro fosse combustível para inflar o próprio ego.
Desrespeito a outras mulheres - Esse é um caso em que a parte opressora é o homem e se trata de um casal. Geralmente o homem que agride a parceira também não trata bem outras mulheres do seu convívio ou se refere a outras mulheres com desrespeito e agressividade.
Manipulação - Chantagem e joguinhos fazem parte de relacionamentos abusivos. No fundo a pessoa que assume o papel de agressor age sempre tentando persuadir a pessoa a pensar que o problema está com ela.
A psicanalista esclarece que a pessoa que age “oprimindo” em uma relação, pode achar a maneira como age normal porque foi assim que aprendeu a lidar com a vida e provavelmente continuará sendo como é, a não ser que busque um tratamento, o que ainda assim não garante uma mudança de comportamento, já que cada caso é particular.
MAS O QUE LEVA ALGUÉM A PROSSEGUIR EM UM RELACIONAMENTO ABUSIVO? COMO SE LIVRAR DE UMA SITUAÇÃO COMO ESSA?

Daniela explica que o medo da solidão não é o motivo principal para que uma pessoa persista em uma relação abusiva: “É a necessidade de ser amado, na verdade de se sentir amado, mas isso é uma necessidade humana, não é exclusiva de quem vive relacionamentos abusivos. O motivo que leva alguém a ter dificuldade de sair de uma relação, de qualquer tipo, está na origem da sua constituição como sujeito, ou seja, nas primeiras relações de amor que teve”.
A melhor maneira de sair de uma situação difícil como essa é procurando a ajuda de um psicólogo ou psicanalista, afinal, viver em uma situação de sofrimento contínuo pode ser torturador e até quem sabe, pode levar a outros problemas emocionais. Daniela orienta: “A minha experiência clínica mostra que o trabalho terapêutico pode auxiliar na recuperação da autoestima, possibilitar uma clareza maior e autonomia sobre as próprias escolhas, fatores fundamentais para a vivência de relações saudáveis”.
Um relacionamento deve ser saudável, deve trazer leveza e alegria. É claro que adversidades podem surgir, mas quando os momentos de sofrimento se transformam em períodos frequentes e desgastantes, está na hora de procurar ajuda e de encontrar a si mesmo e o caminho da paz.
Daniela André Martins, psicóloga e psicanalista. Interessados em participar de grupo terapêutico com foco em questões de relacionamento, entre em contato para agendar uma entrevista:
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Fontes
Revista Capitolina. Relacionamentos abusivos. Texto de Priscylla Piucco e Sofia Soter: revistacapitolina.com.br/relacionamentos-abusivos
Bolsa de Mulher - Amor e sexo. Relacionamento tóxico: 7 sinais de que seu parceiro pode ser abusivo: www.bolsademulher.com/amor-e-sexo/relacionamento-toxico-7-sinais-de-que-seu-parceiro-pode-ser-abusivo
Carta Capital - Como reconhecer a armadilha do relacionamento abusivo. Texto de Aline Valek: www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/como-reconhecer-a-armadilha-de-um-relacionamento-abusivo-1323.html