Câncer infantil: o diagnóstico afeta todo o contexto familiar

1/2/2016        

 

 A doença abala fortemente os pais tornando-se essencial a união e o companheirismo

A infância é uma fase contínua de descobertas, conhecimento e aprendizado. É estar diante de mil possibilidades, é preocupar-se em diversão, estudos, esportes, brincadeiras e amigos. Mas, quando vem à tona o diagnóstico do câncer a criança sofre consequências fortes no cotidiano e no modo de encarar a vida. E agora, como inserir uma nova rotina? Como adaptá-la a um tratamento por vezes doloroso e que irá afetar todo o cotidiano, as brincadeiras e o convívio...

Vai existir mudanças na rotina dos pais e todas as adaptações necessárias ao tratamento da doença. E não, nenhum pai nasce preparado, tampouco uma criança para encarar o câncer. Portanto, procurar auxílio psicológico torna-se uma ferramenta imprescindível para a família, orienta a especialista em psico-oncologia, Elisa Campos.

“A criança representa o futuro para qualquer família, uma ameaça de morte desestrutura todo o contexto. Os estragos podem continuar após a morte da criança, ocorrendo algumas vezes separações de casais. Para que as coisas possam ser enfrentadas formando uma corrente, é preciso que a família seja orientada, e o resultado, mesmo em casos de luto dolorido, pode tornar-se um renascimento muito rico”, alerta.

Estudos são otimistas sobre o câncer infantil

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) aproximadamente 70% das crianças que sofrem de câncer podem ser curadas, desde que exista o tratamento precoce nas instituições especializadas. No Brasil o câncer infantil ocupa a segunda posição em responsabilidade da maior causa de morte entre as crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Os números perdem somente para os casos relacionados a acidentes e violência.

O câncer que afeta as crianças apresenta diferentes características da doença em adultos. O câncer infantil é responsável por atingir as células da corrente sanguínea junto aos tecidos de sustentação, enquanto nos adultos a doença afeta o sistema epitélio que auxilia os órgãos relacionados ao pulmão e mama, por exemplo.

O INCA alerta sobre os pacientes que chegam ao centro de tratamento com a doença em estágio avançado, por conta de fatores associados à desinformação dos pais, medo do diagnóstico da doença e negação, além da desinformação dos médicos.

A cura e o enfrentamento do câncer infantil englobam não só o tratamento biológico, como principalmente o emocional e o modo como a criança ou adolescente são inseridos no contexto social e familiar.

 Referências:

INCA-Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/infantil

INCA: http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=343

Câncer e estresse: um estudo sobre crianças em tratamento quimioterápico: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-74092004000200006

BBC Brasil: http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u37823.shtml

 

Elisa Parahyba Campos, Psicóloga
Especialista em Psico-Oncologia
Atua no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)
Coordenadora do laboratório CHRONOS- Centro Humanístico de Recuperação em Oncologia e Saúde
 
 



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