Perdemos a batalha para o mosquito Aedes - Ministro da Sa˙de Marcelo de Castro

3/2/2016        

Declarações polêmicas do atual ministro têm chamado à atenção

Em 2015, o ministro declarou que sexo era para amador e que gravidez era para profissional. Há semanas atrás disse que ‘torcia’ para que as mulheres pegassem zika antes da idade fértil, porque assim ficariam imunizadas pelo próprio mosquito.
 
Quando questionado pelo veículo Folha de S. Paulo por seus posicionamentos, o ministro da saúde disse que toda pessoa tem direito a se expressar mal um dia.
 
Mas uma das declarações mais recentes do ministro foi “perdemos a batalha para o Aedes”. Declaração esta que tem sido rebatida por pesquisadores e ativistas envolvidos no assunto, como a antropóloga Debora Diniz, que faz parte do Anis (Instituto de Bioética).
 
Debora gravou um vídeo que tem circulado nas redes sociais e que está no YouTube intitulado de Zika vírus e as impertinências do Ministro da Saúde, em que ao lado de Sinara Gumieri, também antropóloga e ativista do Instituto de Bioética, comenta as últimas declarações realizadas pelo ministro, chamando à atenção da população para a questão da epidemia de casos de zika vírus, mas também para a importância de que todos se mantenham avante na luta contra este mal.
 
Uma das medidas que não apenas o Brasil, como outros países cogitam é a de pedir às mulheres que evitem engravidar. Em alguns países já se levantou a hipótese de que as mulheres deveriam ficar até dois anos evitando uma gravidez, o que para as pesquisadoras é um sinônimo velado de repúdio ao aborto em casos como têm ocorrido, em que a mulher descobre que o bebê que espera tem microcefalia e resolve então abortar a criança evitando sofrimento e dor para si e para o bebê.
 
Outra declaração do ministro foi a de que com o número de casos de microcefalia aumentando, teremos uma “geração de sequelados”. 
 
O que tem sido discutida é a autonomia da mulher para que possa decidir se quer ou não ter a criança, se o desejo for não, o que se engloba em Direitos Sexuais e Reprodutivos, o Estado deve dar à mulher o aparato para que ela tome essa decisão e, se o desejo for ter o filho, mesmo sabendo de tudo que pode suceder com a criança, da mesma maneira o Estado deve dar à mulher o subsídio para cuidar desse filho.
 
O que tem sido questionado não é apenas a questão do problema de saúde pública no Brasil, mas a questão da humanização, a questão da dor da mulher e da família ao descobrir que o filho que espera tem microcefalia, a dor de saber que aquela criança crescerá com limitações.
 
Atualmente diante deste cenário de epidemia, o Brasil é visto pelos outros países como uma nação em que os Diretos Sexuais e Reprodutivos são frágeis e em que a mulher não pode sequer fazer escolhas, como abortar.
 
A epidemia é uma realidade e talvez a epidemia que mais assombre o Brasil na verdade seja a de desumanização.
 
Zika vírus e as impertinências do Ministro da Saúde - https://www.youtube.com/watch?v=PFAWvj8adVQ
 
DIREITOS SEXUAIS E DIREITOS REPRODUTIVOS - UMA PRIORIDADE DO GOVERNO - http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_direitos_sexuais_reprodutivos.pdf
 
 
 
 



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