O corte entre a região perineal (ânus) e a vagina para facilitar a saída do bebê é necessário?
O procedimento da episiotomia há algum tempo é motivo de questionamentos, trata-se do corte realizado entre o ânus (períneo) e a vagina com o intuito de facilitar a saída do bebê. Mas esse procedimento realmente é necessário? Sim, porque a epiosotomia realizada sem necessidade se enquadra em violência obstétrica.
De um lado, esse procedimento é enxergado como mutilação, do outro, há a afirmação de que se trata de um procedimento simples e que na maior parte dos casos é necessário.
Esse procedimento teve início no século 18 e foi difundido por meio do obstetra irlandês Fielding Ould, mas no início dos anos 1950, com o avanço da medicina, anestesias e procedimentos mais seguros de esterilização unidos a episiotomia e ao uso do fórceps, o método passou a ser considerado sinônimo de parto realizado com sucesso.
Só que não era isso que milhares de mulheres pensavam a respeito desse procedimento, a relação com a mutilação de seus corpos começou a ser discutida, entre os anos 1970 e 1980, movimentos feministas unidos a alguns profissionais da saúde começaram a discutir até que ponto a episiotomia era necessária, até que a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1996 reuniu um grupo de pesquisadores e ficou claro que esse procedimento era praticado frequentemente, e na maioria dos casos, sem necessidade e de maneira inadequada. Uma documentação foi emitida com o intuito de frisar a importância de que essa prática fosse diminuída.
Apenas em 10% dos casos, segundo dados obtidos pela OMS o procedimento da episiotomia é indicado, quando o bebê está sentado, em casos de prematuros e em casos em que a mulher apresenta rigidez no períneo, em casos como estes esse procedimento pode ser realizado legitimamente.
Mas não se trata de um simples corte, a episiotomia é um procedimento cirúrgico e se for necessário deve ser realizado com o máximo de atenção, isso porque pode causar rompimento extenso, pode resultar em complicações graves como frouxidão na região perineal e em consequência pode vir a causar problemas intestinais e a contenção de órgãos com o exemplo do intestino.
Esse corte só pode ser realizado quando a cabeça da criança se mostra visível, mas a informação precisa sobre a necessidade do procedimento pode ser dada à gestante ainda no pré-natal. A mulher DEVE ser informada sobre o procedimento e se desejar que não seja realizado, tem o direito de ser respeitada.
Inúmeros especialistas por todo o mundo já não se utilizam mais dessa prática, mas verdade é que a violência obstétrica é um assunto que merece ser cada vez mais disseminado. Episiotomia não é uma necessidade na maioria dos casos, é um corte, uma cirurgia e se for realizada sem o consentimento da mulher, é sim violência.
Você mulher tem o direito de recusar esse procedimento, você tem o direito de questionar, você DEVE ser respeitada.