
A epidemia da dengue e o aumento dos casos de microcefalia associada ao Zica vírus tem preocupado muitas pessoas. O Ministério da Saúde recomenda o uso de repelentes para se proteger contra o mosquito Aedes aegypt, transmissor da dengue, zica vírus e febre chikungunya. Contudo, nem todo repelente encontrado no mercado pode ser utilizados em crianças.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), os produtos aprovados pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) não prejudicam a pele, desde que sejam utilizados corretamente. Em crianças, o cuidado deve ser ainda maior, visto que a pele é mais delicada.
A dermatologista Fernanda Rocha explica que o uso de repelentes inadequados em crianças pode causar intoxicação, alergia e até mesmo ter seu efeito anulado, pois não são produtos indicados para crianças. “ É preciso estar atento ao rótulo e utilizar somente repelentes indicados para crianças. Além disso, os produtos disponíveis diferem quanto à indicação de uso e tempo de proteção”, alerta.
Tipos de repelentes:
Existem três tipos de repelentes aprovados pela Anvisa, que são comercializados no Brasil:
- IR 3535 30%: permitido pela Anvisa para crianças acima de 6 meses - Período de proteção é de até 4h.
- Icaridina (KB3023): Uso permitido no Brasil em crianças a partir de 2 anos de idade em concentração de 25% - Período de proteção de 8 a 10 horas.
- DEET: Em concentração de até 10% pode ser utilizado em crianças de 2 a 12 anos, sendo que não deve ser aplicado mais que 3 vezes ao dia - Período de proteção máximo de 2h.
Há ainda opções naturais como o óleo de citronela, que pode ser utilizado em crianças acima de 2 anos, mas sua eficácia ainda não foi comprovada e não garante proteção adequada contra o Aedes aegypt.
A SBD recomenda o uso de repelentes em crianças somente a partir dos 6 meses, mas a dermatologista explica que, em casos isolados, quando a criança tiver acesso a ambientes externos com probabilidade de mosquitos, é possível aplicar a partir dos 4 meses, desde que tenha orientação do pediatra ou dermatologista. “ O ideal é aplicar pela manhã e final de tarde, que são horários de mais chance de incidência de mosquitos, mas depende do tempo de duração do repelente escolhido”, explica.
No momento de comprar o repelente para o seu filho é necessário olhar o rótulo e verificar o princípio ativo, se é indicado para crianças, o tempo de duração e validade. A dermatologista explica que além do uso do repelente, é necessário tomar algumas medidas como colocar tela nas janelas, colocar mosquiteiros nos berços ou camas, utilizar roupas que cubram o corpo da criança e de preferência de cores claras (cores escuras atraem os mosquitos) e fechar todas as janelas da casa após as 17h.
Além disso, a melhor forma de se proteger contra o mosquito da dengue é impedir que ele se prolifere, não deixando água acumulada. Essa é uma medida prática e efetiva, que pode salvar vidas.
Drª Fernanda Rocha
Dermatologista
CRM:28552
Fontes utilizadas:
http://combateaedes.saude.gov.br/prevencao-e-combate/repelentes-e-inseticidas
http://www2.fm.usp.br/gdc/docs/cseb_2_folder_repelentes.pdf
http://www.dengue.org.br
Repelentes de insetos: recomendações para uso em crianças/ Rev Paul Pediatr 2009;27(1):81-9.