Que repelente a criança deve usar?

5/2/2016     Vanessa Ferreira    

 Especialistas alertam sobre os perigos do uso indiscriminado de repelentes em crianças
 
 

A epidemia da dengue e o aumento dos casos de microcefalia associada ao Zica vírus tem preocupado muitas pessoas. O Ministério da Saúde recomenda o uso de repelentes para se proteger contra o mosquito Aedes aegypt, transmissor da dengue, zica vírus e febre chikungunya. Contudo, nem todo repelente encontrado no mercado pode ser utilizados em crianças. 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), os produtos aprovados pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) não prejudicam a pele, desde que sejam utilizados corretamente. Em crianças, o cuidado deve ser ainda maior, visto que a pele é mais delicada.

A dermatologista Fernanda Rocha explica que o uso de repelentes inadequados em crianças pode causar intoxicação, alergia e até mesmo ter seu efeito anulado, pois não são produtos indicados para crianças. “ É preciso estar atento ao rótulo e utilizar somente repelentes indicados para crianças. Além disso, os produtos disponíveis diferem quanto à indicação de uso e tempo de proteção”, alerta.

Tipos de repelentes:

Existem três tipos de repelentes aprovados pela Anvisa, que são comercializados no Brasil:

- IR 3535 30%: permitido pela Anvisa para crianças acima de 6 meses - Período de proteção é de até 4h.

Icaridina (KB3023): Uso permitido no Brasil em crianças a partir de 2 anos de idade em concentração de 25% - Período de proteção de 8 a 10 horas.

- DEET: Em concentração de até 10% pode ser utilizado em crianças de 2 a 12 anos, sendo que não deve ser aplicado mais que 3 vezes ao dia - Período de proteção máximo de 2h.

Há ainda opções naturais como o óleo de citronela, que pode ser utilizado em crianças acima de 2 anos, mas sua eficácia ainda não foi comprovada e não garante proteção adequada contra o Aedes aegypt.

A SBD recomenda o uso de repelentes em crianças somente a partir dos 6 meses, mas a dermatologista explica que, em casos isolados, quando a criança tiver acesso a ambientes externos com probabilidade de mosquitos, é possível aplicar a partir dos 4 meses, desde que tenha orientação do pediatra ou dermatologista. “ O ideal é aplicar pela manhã e final de tarde, que são horários de mais  chance de incidência de mosquitos, mas depende do tempo de duração do repelente escolhido”, explica.

No momento de comprar o repelente para o seu filho é necessário olhar o rótulo e verificar o princípio ativo, se é indicado para crianças, o tempo de duração e validade. A dermatologista explica que além do uso do repelente, é necessário tomar algumas medidas como colocar tela nas janelas, colocar mosquiteiros nos berços ou camas, utilizar roupas que cubram o corpo da criança e de preferência de cores claras (cores escuras atraem os mosquitos) e fechar todas as janelas da casa após as 17h.

Além disso, a melhor forma de se proteger contra o mosquito da dengue é impedir que ele se prolifere, não deixando água acumulada. Essa é uma medida prática e efetiva, que pode salvar vidas.

 

Drª Fernanda Rocha

Dermatologista

CRM:28552

 

Fontes utilizadas:

http://combateaedes.saude.gov.br/prevencao-e-combate/repelentes-e-inseticidas

http://www2.fm.usp.br/gdc/docs/cseb_2_folder_repelentes.pdf

http://www.dengue.org.br

Repelentes de insetos: recomendações para uso em crianças/ Rev Paul Pediatr 2009;27(1):81-9.

 
 



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