O parto humanizado o respeito autonomia da mulher

3/5/2016        

 
 

ENTENDA SOBRE O TRABALHO DA DOULA NESTE MOMENTO TÃO ESPECIAL

 
 
De acordo com o estudo A história do nascimento (parte 1): cesariana, na civilização ocidental, a cesárea era realizada inicialmente em mulheres mortas e moribundas, na tentativa de salvar o feto fosse por motivos religiosos (para o batismo e cerimônia de enterro); a cesárea também era feita com o objetivo de salvar a vida materna. 
 
Já na matéria ‘Epidemia’ de cesáreas: por que tantas mulheres no mundo optam pela cirurgia? (2015), era exposta a situação alarmante no Brasil de que nos hospitais particulares o número de partos cesáreos chega a 84,6% , um número que diverge do que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde, de que a taxa de partos cesáreos seja de 10% a 15%, o que fez com que em julho de 2015 mudassem as regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), para que estimulasse a realização de partos normais no Brasil, o que em longo prazo mudaria a realidade obstétrica atual.
 
Há algum tempo fala-se sobre parto humanizado. A doula Fabíola Benetti enfatiza que a gestação é um momento lindo e pleno, onde ocorrem inúmeras transformações e emoções, mas que não se pode perder o foco no momento do parto. Fabíola relata que se tornou doula depois da primeira gestação, há três anos e, que quis ser doula porque percebeu o quanto é importante que a mulher vivencie o parto embora hoje em dia seja muito difícil que isso ocorra, já que o parto normal deveria ser “normal”.
 
“A mulher deve ser protagonista ou devia ser a protagonista do próprio parto. E é por isso que me tornei doula. Quando fiquei grávida do meu primeiro filho, fui atrás de uma equipe que me desse segurança, para que eu tivesse um parto pleno, mais humano, queria vivenciar meu parto, queria que fosse humanizado, mais natural possível e sem intervenções. Estudei muito durante a gestação, foi um parto hospitalar e tranquilo. Não houve muitas intercorrências”, conta.
 
O artigo Parto e Nascimento: saberes e práticas humanizadas, esclarece que o empoderamento possui relação com o exercício do controle dos próprios atos, o que também possui ligação com o acesso à informação e com a consequente consciência plena dos próprios direitos. É saber o que é melhor para si.
 
A doula relata que já acompanhou o parto de várias mulheres e de que sempre se envolve em militâncias, em eventos relacionados a parto: “Acho importante a mulher ter seu poder nesse momento e resgatar o próprio poder. Toda mulher pode parir, desde que tenham paciência com ela”.
 
Este poder também se relaciona com o tempo do corpo feminino, em um parto humanizado o curso do corpo da mulher é respeitado e se o trabalho de parto for longo e tudo estiver correndo bem com a mulher, este tempo é respeitado até a “expulsão” do bebê.
 
A cuidadora também ressalta que um parto humanizado não se refere apenas ao parto domiciliar (em casa):
 
“Parto humanizado é aquele que respeita as vontades da mulher, ou seja, se a mulher precisar de analgesia, ela terá esse desejo respeitado. O parto humanizado não é só o parto em casa, o parto domiciliar faz parte do parto humanizado, mas é preciso quebrar esse tabu, esse achismo popular de que parto humanizado é o parto em casa, apenas”.
 
A doula esclarece que o parto domiciliar planejado é humanizado por si só, porque é um respeito ao desejo da gestante, já no caso do parto hospitalar, a humanização envolve o apoio da equipe e do médico que liderará o atendimento. As vontades da mulher devem ser respeitadas e é importante que haja o mínimo de intervenções possíveis e quando forem, de fato, necessárias.
 
 

COMO A MULHER PODE SE PREPARAR PARA UM BOM PARTO?

 
 
Fabíola explica que exercícios como Ioga e hidroginástica favorecem um bom parto, mas que o nascimento envolve mais a parte psicológica do que a física, isso porque tudo também dependerá do curso da gestação e se for um caso em que a mulher deseja muito um parto normal, mas não foi possível por reais complicações, será importante ter um psicológico em bom estado.
 
“A gestação é o momento da mulher de se empoderar e de se informar. Ter informações baseadas em evidências científicas é a melhor maneira de se preparar para o parto. Ter uma doula é importante nesse momento, porque ela vai saber orientar essa mulher”, explica.
 
 

AFINAL, POR QUE BUSCAR UMA DOULA?

 
 
Fabíola Benetti esclarece que a doula ajuda a mulher e também a família para o momento do parto, já que cada um poderá assumir uma função no momento do nascimento. Ela explica que o marido é fundamental neste processo e de que para o homem também é enriquecedor passar pelo trabalho de parto. Já para a mulher, ter a presença da doula, garante apoio físico e emocional e claro, a equipe médica também deve ser acolhedora neste momento: “O quanto antes você pensar no trabalho de parto, melhor. Procurar uma doula é o ideal, porque mais informações se conseguirá e por isso é tão importante”.
 
A doula explica que muitos médicos ainda usam a cesárea como pretexto de segurança para a mulher e criança e, de que costumam dizer que se a mulher teve uma cesárea não poderá ter um parto normal. Mas a mulher que teve uma cesárea terá o mesmo risco de uma mulher que nunca teve uma experiência de parto, o que quer dizer que se a mulher deseja um parto normal, deve correr atrás desse objetivo, porque é possível.
 
“No parto humanizado, a autonomia feminina é respeitada. Ou seja, se a mulher quiser parir deitada, de cócoras... Ela escolhe a posição, ela escolhe o ambiente, se deseja uma música, se deseja uma massagem da doula, se deseja ir para o chuveiro, que é um recurso de relaxamento. O parto humanizado respeita a autonomia da mulher e o que ela quer”.

Qual o teu desejo de parto? 
 
 

 
 
Fabíola Benetti - Doula
Fanpage: www.facebook.com/ventreecores

 
 

Fontes
 
CNGRAVIDAS – Congresso nacional para grávidas: cngravidas.com.br
 
PARENTE, Raphael Câmara Medeiros et al. A história do nascimento (parte 1): cesariana. Femina (Rio de Janeiro). V.38, p.481-486, 2010: www.febrasgo.org.br/site/wp-content/uploads/2013/05/feminav38n9_pg481-486.pdf
 
‘Epidemia’ de cesáreas: por que tantas mulheres no mundo optam pela cirurgia? Realizado por: Valeria Perasso. BBC Brasil: www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150719_cesarianas_mundo_rb
 
MALHEIROS, Paolla Amorim et al. Parto e Nascimento: saberes e Práticas Humanizadas. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2012 Abr-Jun; 21(2): 329-337: www.scielo.br/pdf/tce/v21n2/a10v21n2
 



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